Vontade

[Intro]
Como Deus era Adão, mas dele se afastou
Quis ser Leão da mata e a gazela perseguiu
[Verso 1]
Adão encheu o peito, com sonhos de realeza.
Mas quando o bom Leão surgiu, escondeu-se em esperteza:
“Sou só gazela frágil, pobre de mim”
Disse o rei: “Gazela não se nove assim”
“Sou a pedra que pontapeaste ao andar
Se me movo, foi teu pontapé que me fez voar”
[Verso 2]
Ao encolher Adão, o Leão expandiu
“Que teme uma pedra que não sofreu nem sentiu?”
Colidiu em desespero, e o leão feriu,
e alagou em sangue meia terra.
A maré veio e foi, e o vento soprou,
De pedra se fez pó, e daí o homem se levantou.
[Refrão]
O Leão aproximou-se, sereno e sem pressa
Olhou fundo nos olhos e disse em voz serena:
“Dormamos efémeros, prestemos eternos”
[Verso 3]
Lebre orgulhosa e veloz parou para descansar
Tartaruga paciente seguia sem se apressar
Generosa despertou-a para o último lanço
Ofereceu-lhe a mão com bondade e cansaço
[Verso 4]
A lebre riu e subiu-lhe às costas com desdém
“Agora és minha bengala, a culpa é como me convém”
A tartaruga carregou o peso sem se opor
Era Leão disfarçado, mas rugia sem rancor
[Ponte]
A casca cresceu, e fez-se juba dourada.
Suave rugir saía em verdade proclamada:
"Dei-te a mão em auxílio, e assim me pagaste.
Corres para o castigo que tu mesmo fabricaste"
“Dou-te a mão sem vingança, e projetas-me tirano.
Que dizes de recomeçar, até sair do engano?”
[Refrão Final]
O Leão aproximou-se, sereno e sem pressa
Olhou fundo nos olhos e disse em voz serena:
“Dormamos efémeros, Prestemos eternos"
Pedra Lume
Pedra Lume